27 agosto 2008

mocinha de recados

Qualquer dia fazem-me uma espera e dão-me uma tuna de porrada.
- A porradinha que era para dez vai toda só para ti – dizem em terras olhanenses.
Farta que estava de só ouvir avecs, bimbos do Porto e trolhas de Lisboa (sem ofensa às boas pessoas), e nunca ter lugar para estacionar a porra do carro quando chego a casa, comecei a pendurar bilhetes no vidro de todos os outros veículos.
- É favor não deixar o carro a tapar a saída.
-
Por favor, não estacione o carro a tapar a entrada do parque porque há lugares livres lá à frente e eu não consigo passar.
E hoje, por fim…
-
Da próxima vez que me trancar o carro pode ser que, acidentalmente, um camião de mercadorias passe por cima do seu.
**da-se que não há paciência para tanto tóino!
O mal foi ter assinado todos os recados. Qualquer dia descobrem onde moro.

22 agosto 2008

ups...

E quem terão sido as mentes iluminadas que resolveram mudar os ares à casa e penduraram um canteiro de flores no meio da parede da sala, a metro e meio de altura, entre a porta e a janela?
E quem terão sido as mentes iluminadas que lá plantaram umas sementinhas que em dois dias tinham um palmo de altura?
E quem terão sido a mentes iluminadas que estranharam aquilo crescer tão depressa?
E quem terão sido as mentes iluminadas que só depois se aperceberam que as plantinhas tinham o nome de girassóis gigantes?
E quem terão sido as mentes iluminadas que conluiram que se são gigantes é porque vão ficar altos?
E quem terão sido as mentes iluminadas que só à segunda viram que aquelas coisas iam atingir dois metros de altura?
Porra!
Devíamos ler bem as embalagens antes de comprar aquelas coisas porque a natureza e os ares e o raio que o parta e fica bem e é engraçado e o caraças é que é!

11 agosto 2008

E só porque sim...

… hoje sinto-me uma grande mulher. E ontem também. E no dia anterior também. E na sexta-feira à noite muito mais que em qualquer destes dias.
E só porque sim, apesar do meu minúsculo metro e sessenta e sete centímetros, fui içada por uma grua a 60 metros de altura para me deliciar num espectáculo dos polémicos La Fura Dels Baus.
E só porque sim senti um misto de euforia, coragem e medo como o caraças.
E só porque sim resolvi, durante três excitantes dias, tornar-me acrobata.
E só porque sim continuo a recusar-me a subir a mesas e a escadotes sem a presença de um arnês, um fato completo de mergulho, ornamentado com tubos de água, e técnicos de segurança espanhóis.
É que tenho um medo desmarcado de alturas, morro de vertigens e, se a coisa dá para o torno, posso cair e estatelar-me no chão de tal maneira que só me conseguirão de lá tirar com uma espátula.
Por isso, aventuras só mesmo a 60 metros acima da linha do horizonte.

29 julho 2008

parte 1

Ela chegou a casa exausta de mais um dia cansativo. As discussões laborais, os excessos, os prazos apertados e os atrasos que há muito se haviam tornado rotina, arrastavam-lhe para o corpo o peso das semanas comuns.
- O trabalho é que estraga a vida às pessoas – costumava dizer em tom sério de quem brinca.
Os dias haviam perdido a magia da descoberta e o entusiasmo do crescimento pessoal para se limitarem a escassas tentativas de sobrevivência.
E aquela era apenas mais uma noite que se avizinhava apática, repleta de desconcertantes gestos mecânicos.
Os pés descalços guiaram-na ao canto do sofá, o lugar que institivamente adoptara como seu e só seu. As sandálias de saltos agulha que acabara de adquirir e que lhe feriam a alma a cada passo, repousavam a seu lado. Quis fazê-las desaparecer. Quis atirá-las janela fora na esperança vã de que a monotonia se lançasse em seu auxílio.
A mente começava a libertar-se das incógnitas da sociedade. Mas o peso sobre si permanecia intacto.
Fechou os olhos e julgou adormecer. Como se os sonhos a levassem para um jardim, talvez de delícias, onde a paz reinaria descomplicada.
- O trabalho é que estraga a vida às pessoas.

24 julho 2008

parte I

Olhava o mundo com os olhos de quem, inconscientemente, tem consciência de pouco saber. Olhava-o de uma outra perspectiva, por uma fresta que poucos pareciam conhecer.
O dia tinha sido igual a tantos outros. As horas passadas entre o repouso e a necessidade de se manter viva alteravam com os momentos de brincadeira que tantas vezes lhe eram roubados. No silêncio, magicava o fim da solidão que não tardaria a chegar. E aguardava pacientemente no confortável tapete que habitualmente lhe estava restrito.
Mas naquele dia algo se apresentava diferente. Uma porta aberta facilitara-lhe a tarefa de irromper na descoberta. E limitava-se agora a esperar, finda a agitação de quem alcança um objectivo há muito traçado. Limitava-se a esperar com a certeza de que pouco lhe restava.
Os outros costumavam dizer que a memória lhe costumava faltar. Que aparentava não dever muito à inteligência.
Mas, no fundo, o que tinha era apenas amor para dar. Amor, puro e simples, e gratidão.
Sabia que era amada. Sabia que faziam tudo por ela e pelo seu bem-estar.E, alheia à sua própria loucura, fazia tudo para retribuir.

14 julho 2008

back on the game

Prometi a mim mesma que regressaria às loucas e atribuladas viagens em prol de um bem maior chamado música. E estou de volta. Desta vez com o conforto do carro, a segurança do telemóvel e mais alguns tostões no bolso, mas de volta.
Prometi a mim mesma que não passaria mais um único mês sem usufruir de um bom concerto e eis que a promessa tem vindo a ser cumprida.
A minha tournée pessoal começou com os Linda Martini, no Rock na Ribeira, e prosseguiu com o grandioso concerto dos The National, no Optimus Alive, a que se seguiu The Hives (muito melhor em disco que ao vivo) e os incortonáveis Rage Against the Machine, também eles estrondosos.
O cartaz há-de continuar com a mistura entre o velho e o novo punk nacional, no Guadiana Fest, Editors, Mars Volta e Thievery Corporation, em Paredes de Coura, e José Gonzalez e Massive Attack, no Sagres Surf Fest.
Daí para a frente logo se vê.

09 julho 2008

E amanhã...

... vou estar ausente porque consegui credenciais para o Optimus Alive e vou zarpar daqui por uns dias.

coisas bonitas de se dizer

E hoje lembrei-me daquela que poderia muito bem ser considerada a maior declaração de amor de todos os tempos.
- Amor, baixas-me os níveis de açucar no sangue. Dás-me hipoglicémias.
Não é uma coisa bonita de se dizer? É romântico, não é?
Como não tinha nada de importante em que pensar entretive-me com estes devaneios.
Deu-me para isto. Vá-se lá saber porquê.

melancolia

E esta noite não tenho muito para dizer. Mas do pouco que me assola há um muito de extrema importância.
Em jeitos de resposta ao meu Raspelho, desejo ardentemente um regresso a casa.
Os jantares, as conversas de café, as risadas no Capitel ou os simples encontros do costume sabem “a voltar a casa”.
E é disso que hoje tenho falta. De voltar a casa. De sentir a cidade e tudo o que ela me desperta. De cheirar o ar que por lá se respira. De sentir o calor que transborda das almas alentejanas.
De estar. De chegar. De regressar. De voltar.
Hoje é só disso que preciso. Mesmo que tal aconteça apenas por escassos momentos.
Porque eles (ou vocês) me sabem a casa. E, principalmente, porque me sabem a mim.

07 julho 2008

conversa de amigos

- Ó, Lisa, tu sabes como é. Também és assim. Temos os dois personalidades muito fortes e isso, por vezes, torna difícil dividir espaço com outras pessoas.
(Sobre a relação quem tem vindo a ter com a namorada)
- Ó, Fernando, aquilo que nós temos não é personalidade forte. Desengana-te. Aquilo que nós temos chama-se feitiozinho de merda e não tem nada a ver com personalidade forte.
(Quem me dera que assim fosse).

04 julho 2008

diferenças importantes

- Qual é a diferença entre uma catástrofe e uma calamidade?
- Uma catástrofe é a Lisa a conduzir. Uma calamidade é a Lisa a conduzir e a cantar.
Que piada! Os meus amigos são tão queridos!

o que é pior que...

... sair da redacção (para onde fui de mini-saia e chinelo), pegar no carro, chegar a casa, tomar duche em 10 minutos, trocar de roupa, calçar umas sandálias de menina séria, tentar colocar em ordem todos os meus fios de cabelo desgrenhados, voltar a pegar no carro, chegar à Baixa de Faro ainda com 35 graus no lombo, cozer os pés de elefante que não estão habituados a apertos, assistir à inauguração de uma joalharia cujo anel da montra custa a módica quantia de 3.300 euros (sim, três mil e trezentos euros), aturar uma cambada de pindéricos e não beber nada porque anseio desesperadamente por um momento de fuga?
O que é pior que isto tudo junto?
É estar à espera que alguém se digne a vir falar comigo para me poder pôr a milhas e ver a passar na rua os tristes felizes que vêm da praia de bikini e calção.

01 julho 2008

devaneios de quem parece arranjar tempo a mais

Estes escassos momentos de lucidez só me servem para pôr em causa algumas das minhas crises existencialistas. E depois dá-me para isto. Para divagar. Sem com isso conseguir alcançar rumo algum.
Coloco a mim mesma as perguntas mais estúpidas. E dou a mim própria respostas ainda mais absurdas.
Continuo à procura do fundamento para a minhas estranhas fobias mas não consigo encontrar razões lógicas para o pavor de caracóis.
Não consigo também perceber por que durmo eu, durante todas as estações do ano, com os pés de fora, atenta à necessidade de um dia ter de saltar rapidamente da cama, sem que os membros se embrulhem nos lençóis.
Também não compreendo como pode o meu corpo ficar sistematicamente cravado de mosquitos se passo a vida rodeada por pessoas e coberta de repelente de insectos (acho que vou abdicar do uso de perfume já que o cheiro nauseabundo do repelente o acaba por abafar).
Continuamente estranho e despropositado é dar comigo própria a pensar em tudo o que não interessa quando existem eixos muito mais importantes sobre os quais devo reflectir.
E o cúmulo da estupidez é pôr-me a escrever, a estas horas pouco dignas, sobre estes devaneios.
Enfim, foi só um desabafo!

30 junho 2008

a idade das descobertas

E ao longo deste fim-de-semana de ócio descobri um punhado de coisas interessantes.
- que os novos desodorizantes em spray todos XPTO para mulheres têm uma tranca de segurança para os putos curiosos;
- que infelizmente essa tranca é muito mais fácil de abrir do que o próprio spray, razão que comprova a sua total inutilidade;
- que está calor a mais para estar na praia ou noutro sítio qualquer;
- que o meu físico se tem vindo a assemelhar ao de um projecto de cachalote e que, lamentavelmente, não fui feita para seguir dietas ou qualquer tipo de abstinência;
- que ainda me sabe bem beber minis na praia até de madrugada;
- que dormir a sesta é uma das melhores coisas do mundo;
- e, por fim, que o recovo e a costa da Armona Beach continuam a ser "heaven on earth".

24 junho 2008

dia de m***a

A alombar, como já vem sendo hábito, 14 horinhas.
A contar com um feriado que, afinal, não vou ter.
A planear levar a cadela para acampar na Ilha do Farol e a desplanear em cima da hora.
A sonhar com três dias consecutivos de folga e a acordar para a realidade.
A ver baratas vermelhas, voadoras, gigantescas a passar entre os meus pés e a surgir sabe-se lá de onde.
A observar os toinos dos meus colegas (com quase dois metros de altura e 100 quilos de peso) a deixar viver os inúteis animaizinhos (porque não querem sujar a sola dos sapatos) e a tirar fotografias à minha estúpida posição (sim, deixei-me ficar o resto do dia a escrever sentada em cima da secretária e a transpirar que nem um cavalo).
E a ir para casa com vontade de espancar pessoas e boicotar todo o tipo de patronato.
**da-se que hoje custou!

20 junho 2008

é que é já a seguir (amanhã ou depois ou assim...)

Tendo em conta que Portugal já foi baldeado do Campeonato Europeu de Futebol, levando consigo o ânimo e a paz que tem pairado sobre os habitantes deste país à beira-mar plantado, acredito que dentro de pouco tempo as greves e tumultos devem regressar aos dias comuns.
E, como tal, tendo em conta o meu desagrado e descontentamento face a certas situações, atribuo a mim mesma o direito de reivindicar.
E garanto levar comigo pelo menos quatro ou cinco membros da minha família, também eles excluídos sociais, integrados numa estranha minoria com tendência a crescer e poucos direitos.
E a razão da minha futura greve, paralisação ou manifestação (consoante a disposição que me assolar nesse dia) é, nada mais nada menos, que a falta de produtos alimentares sem açucar.
Vou a um restaurante e os poucos produtos em que o açúcar é substituído pelo adoçante não existem para consumo.
- Coca Cola Light?
- Não temos.
- Sumol Z?
- Não temos.
- Pão Integral?
- Não temos.
- Gelado sem açúcar?
- Não temos.
- Mas têm alguma coisa sem açúcar?
- Sim. Água.

Vou ao supermercado e escassa escolha de bolachas sem açúcar (que se resumem a pedaços de massa com sabor a nada) custam mais do dobro do preço dos produtos comuns. Para não falar na clara ausência de sabor e estética de tais produtos.
E, por fim, quer em restaurantes ou supermercados, ao constatar a minha cara de desilusão, os infelizes empregados olham para mim e dizem (como se isso me fosse alegrar):
- Mas pode levar/comer/beber/comprar com açúcar porque a menina não precisa de fazer dieta.
- MAS, PORRA, QUAL É A PARTE QUE NÃO PERCEBEU? Eu NÃO estou a fazer dieta. Sou apenas diabética!
- Ah, que pena! (respondem aqueles que já ouviram falar)
E lá me venho eu embora de mãos a abanar.
E, pronto, um dia qualquer que acorde com a neura, agarro na família (sob a ameaça de “se não vierem comigo não comem gelados) e lá vamos todos para a rua manifestar-nos pela igualdade de direitos e oportunidades.

19 junho 2008

e hoje deu-me para isto...

"Aggressively we all defend the role we play
Regrettably time’s come to send you on your way
We’ve seen it all bonfires of trust flash floods of pain
It doesn’t really matter don’t you worry it’ll all work out
No it doesn’t even matter don’t you worry what it’s all about
We hope you enjoyed your stay
It’s good to have you with us, even if it’s just for the day
We hope you enjoyed your stay
Outside the sun is shining, seems like heaven ain’t far away
It’s good to have you with us
Even if it’s just for the day
It’s good to have you with us even if it’s just for the day
Outside the sun is shining, seems like heaven ain’t far away
It’s good to have you with us
Even if it’s just for the dayI
t’s good to have you with us even if it’s just for the day
Outside the sun is shining, seems like heaven ain’t far away"
"Exitlude", in Sam's Town, from The Killers

18 junho 2008

Mãããããeeeee, tira-me deste filme!

Ontem, na inauguração da Biblioteca Municipal de Olhão, disseram que achavam que eu tinha... 16 ANOS (é normal? ok, se calhar é! estava de calções, blusa cor-de-rosa, chinelos e unhas pintadas de roxo).
Mas, em contrapartida, também disseram que eu era a fotógrafa mais bonita no local (essa já não pega! todos os outros eram do sexo masculino).
No dia anterior vi jeitos de apanhar porrada de um cigano só por lhe ter dito para tirar o banquinho do local onde eu queria estacionar o carro.
E no dia antes desse era para ter dado um salto à praia mas, quando consegui juntar todas as porcarias necessárias para tal e fechar a porta de casa, apercebi-me que me tinha esquecido das chaves do carro lá dentro e das chaves de casa junto às do carro. E fiquei estupidamente sentada à porta à espera que algo acontecesse.
E há uns dias atrás...
Ok, pronto, vou já calar-me!

13 junho 2008

a xaga continua esta noite

O encenador charlatão, o russo clandestino, o alemão que estudou nos melhores teatros de Berlim, o pescador olhanense, a psicótica filha da produtora e a jornalista falhada com aspirações artísticas voltam a cena esta noite na Junta de Freguesia de Pechão.
Apesar das greves, manifestações e motins de revolta, A GORDA volta a atacar.
BÁLARINAS E PÉZINHES D'XUMBE II - a xaga continua!
21h50.
Estrada livre.

11 junho 2008

Ainda bem que EU NÃO FUI

... ao Rock in Rio.
Porque fui na segunda-feira passada ao Rock na Ribeira, naquela grande terra que é Pechão, e foi muito melhor do que qualquer festival de betos e elites.
Os farenses Death on the Door inauguraram o palco mas eu perdi o concerto porque me descuidei a enfardar jaquinzinhos com arroz de tomate.
Seguiram-se os olhanense Punk c' Mantega, vencedores da primeira edição do concurso de bandas Abril Bandas Mil. Um punk pouco limado mas prova que de "no Rock na Ribeira se ouve punk à maneira".
A grande surpresa foram mesmo os La Plante Mutante, também eles algarvios, que arrantaram gerações e reavivaram memórias com míticas interpretações dos anos 80. Os meus parabéns a esses grandes cromos!
Os Linda Martini apresentaram a imagem de marca do festival. Rock. Puro e duro. Com guitarras desgrenhadas e sonoridades electrizantes. Inesquecível.
O ambiente primou pela heterogeneidade mas, ao mesmo tempo, pela simbiose perfeita com que todos factores se conjugaram.
Qual Rock in Rio, qual quê. Venham a Pechão e aprendam!

06 junho 2008

hummm, fim-de-semana

E consegui alombar a semana toda para ter direito a um fim-de-semana inteirinho sem serviço de reportagem.
E vou passar dois dias sem a máquina, o gravador, o bloco de notas, as esferográficas e os milhares de papelinhos e contactos que sempre me acompanham (será que vou sobreviver?);
E não vou andar a correr atrás de ninguém a pedir (quase por favor) umas estúpidas palavrinhas;
E não vou querer saber dos pescadores e do gasóleo e do Rio Guadiana e das inaugurações e do caneco e diabo e afins;
E vou passear à capital à procura de umas coisinhas novas para casa;
E vou tentar ir ver a família a terras alentejanas;
E não, não vou passar pelo Rock in Rio porque já perdi a Amy Winehouse e os Machine Head e, por isso, a coisa já perdeu o interesse;
E porque na próxima segunda tenho de gramar com o Rock na Ribeira, nessa grande metrópole chamada Pechão;
E vou ver o jogo pela televisão (se não tiver nada mais interessante para fazer);
E vou andar em boa companhia;
E vou comer muitos gelados e imperiais e termoços;
E vou chamar nomes se me baterem no carro;
E vou arranjar coisas estúpidas para fazer porque sei que me vai apetecer;
E vou esturrar o dinheiro que me apetecer porque hoje desembolsei quase 50 euros por um pneu que furei a trabalhar no dia de anos (eu sabia que não deveria trabalhar aos domingos, muito menos de manhã, muito menos a caminho da serra e muito menos no dia de anos. caraças, pá!)
E pronto. É tudo.

04 junho 2008

acasos infelizes

Pois!
Fui a primeira a chegar à paralisação (um acaso ocasionado pelas horas tardias a que saí do trabalho);
Assisti em directo ao incidente e àquilo que o despoletou;
Falei com os intervenientes antes de qualquer outro órgão de comunicação;
Tirei fotografias de boa qualidade;
E só por não ter captado imagens do homem estendido no chão (por uma questão de respeito e por não me apetecer ser sovada por mais de 200 pescadores), a minha peça não foi manchete.
Pois! Esta história do jornalismo tem muito que se lhe conte!

dois beijos muito especiais

E hoje (só hoje, que fique isto claro!) valeu a pena ter ficado a alombar textos no trabalho até quase às três da matina. E hoje valeu a pena por dois bons motivos.
(E lá vou eu começar com as desculpas e os agradecimentos - também eles de algibeira, mas que têm para mim a mais alta e magnânime importância)
Descobri que a Susana visita este meu espaço de divagação (mesmo que isso tenha acontecido uma única vez) e isso fez-me desabrochar dos lábios um sorriso sincero, que não tinha desde que entrei hoje na redacção.
E isso fez-me sorrir e fez-me querer conhecê-la melhor. E fez-me querer pedir-lhe desculpa por tudo e por qualquer coisa. E fez-me desejar-lhe as melhores felicidades do mundo. E dizer-lhe que os dias maus passam. E que, se por ventura, fui responsável por algum deles me senti a pior pessoa do mundo e o mais egoísta dos seres vivos. E que, por tudo isso e muito mais, lhe desejo tudo e muito mais. Porque as melhores pessoas se fazem sentir à distância.
O segundo motivo foi o reaparecimento do Raindogs, que sei que anda mal de amores e mal de humores (sim, porque às vezes também dou uma espreitadela) e que, por isso, não tem dado notícias.
Aos dois o meu obrigado. E também aos dois, as minhas desculpas. Por razões diferentes, é certo, mas desculpas na mesma.
E, pronto!, hoje vou para casa com outro ânimo. Hoje o fecho de edição foi um tanto menos doloroso.
E já agora, quem ler esta mensagem faça o favor de ler os comentários para aceder aos blogues, também eles de divagação (mas muito mais interessantes que este) destas duas personagens.

02 junho 2008

Síndrome dos 25

Nunca ouvi falar de tal. Mas começo a acreditar que também existe o síndrome dos 25 anos. Passadas 24 horas sobre a consagração (e sobrevivência) do meu primeiro quarto de século de existência, começo a sentir no corpo o cansaço de tamanha responsabilidade.
Pior ainda, quando tal data se comemora no Dia Mundial da Criança e eu não consigo ser bem sucedida nas inúmeros tentativas (pouco esforçadas, confesso!) de adaptar a imagem à idade cronológica.
Talvez os novos passos tragam consigo novas marés, novos ventos, novas tempestades, novas mudanças. Ou talvez não.
Mas, por agora, lá me vou aguentando com 25 anos no lombo e a ideia de que no próximo aniversário não vou trabalhar que nem uma louca, furar um pneu do carro, esquecer-me da carteira e das chaves e não ter jantar de amigos.
Ok, há mesmo o síndrome dos 25. Já começo a fazer exigências difíceis de realizar. Pelo menos, todas ao mesmo tempo.

28 maio 2008

a quantos estamos hoje?!

Bem, passaram alguns dias. Ou semanas, não sei bem. Tenho andado perdida no tempo com excesso de trabalho e escassez de ócio.
Está prestes a terminar mais um dia de azáfama profissional. Ou dois. Também já não sei bem em que dia e a que horas me agarrei a este teclado. E sei ainda menos daqui a quantos minutos (ou horas) o irei largar.
Em todo este tempo descobri um punhado de coisas interessantes:
- que a mítica série Twin Peaks (que não conheci porque não tenho idade para tal mas que guardo na memória como se tivesse conhecido, por ouvir comentários de outrém) se baseia numa aldeia fantasma (ou coisa do género), no interior do concelho de Alcoutim, em plena serra algarvia, onde tive a infelicidade de me perder por infinitos 40 minutos numa noite sombria;
- que por vezes é preciso tomar decisões em prol de algo que consideramos superior;
- que nem sempre é fácil conciliar na vida todas as pessoas com quem, por momentos, gostaria de estar;
- que as paredes da minha sala ficam muito mais atractivas pintadas de verde alface;
- e que é pena que quando chego a casa, depois de 10, 15 ou 30 horas de trabalho, não me apetece absolutamente nada olhar para elas (porque anseio desesperadamente a minha cama e o calor nos pés);
- que tenho de coordenar melhor os meus horários e passar a ser uma pessoa mais regrada;
- e, finalmente, que este ritmo alucinante a que me movo não pode continuar por muito mais tempo.
E agora a parte das desculpas:
- ao Paulo, pelo pouco tempo que tenho disponível;
- à minha família pelas escassas visitas mensais;
- aos amigos de sempre com quem há muito tempo não bebo café;
- aos amigos de há pouco tempo com quem também não tenho bebido café;
- ao Filipe, Charles e Paulo Rosário, por ter falhado o fim-de-semana em Coimbra, mais uma vezes por motivos profissionais (ai, que neura!);
- e um pedido de desculpa especial ao Raspelho por ter faltado a um momento importante da sua história.

14 maio 2008

Está mau isto!

Não sei bem o que me passou pela mente mas, num dia de estranha inspiração, carreguei para o carro todos os velhos cd's que há anos não ouvia.
E letras como Toxicity, dos Sistem of a Down, Letting the Cabbles Sleep, de Bush, Dj, de Dover e um rol de outras canções voltaram a marcar presença na minha memória.
Continua sem saber bem o que me deu. Talvez tenha sido o facto de, nos últimos tempos, ter andado a falhar.
A Semana Académica da Universidade do Algarve já vai a meio e eu já perdi os concertos de Groove Armada, Tara Perdida e Fonzie. A este ritmo, qualquer dia morri e não dei por isso. Mas já prometi a mim mesma que, em dias de menos trabalho, volto a atacar os moches.

13 maio 2008

Porra, pá, que é sempre a mesma coisa!

Já sabia. É sempre a mesma coisa. Todos os anos a mesma coisa. Chega a esta altura e a história toma outros contornos. Chega o mês de Maio e o meu pensamento não pará de magicar formas e fórmulas de tentar vencer esta batalha.
Tento, mais uma vez, chegar à frente. Alcançar o lugar cimeiro que é o meu. E que sempre o deveria ser.
Procuro saltar barreiras e vencer a luta contra o tempo. Quero ultrapassar o meu suposto adversário. Mas sempre em vão. Todos os anos em vão. Todos os meses de Maio em vão. E todos os dias 13 de Maio, o vencedor não sou eu.
Sim, é sempre a mesma coisa. Sempre a mesma história. Mas, no fundo, no fundo, no fundo, não desgosto que assim seja.
Às vezes é um bocado chato. Em anos passados, era irritante (tal como tu também eras irritante). Mas agora é simplesmente um marco na nossa existência. Idêntico a tantos outros que nos tingiram. E tudo isto são apenas ciúmes de uma irmã que teima em ser sempre a mais velha.
Pronto, mano, durante os próximos dezassete dias vamos ter precisamente a mesma idade. Por mais que eu fuja todos os anos me apanhas. Mas, espera, aguarda e usufrui destes dias de igualdade porque, à semelhança do que também acontece todos os anos, brevemente voltarei a ser a primeira.
Parábens, Duarte. E obrigado por seres o melhor irmão do mundo e a grande pessoa que és.
Beijos gordos (e bélinhas na testa para não te ficares a rir!)

12 maio 2008

Está quase...

Só faltam mais uns mesinhos para o Sagres Surf Festival.
Este ano com Massive Attack e José Gonzalez como cabeças de cartaz.
É em Agosto.
Dias 16 e 17.
E, não sei bem como, mas eu vou.

05 maio 2008

Porra, que isto é mesmo bom!

E os gajos são tão bons, tão bons, tão bons que, após nove sessões de lotação esgotada, voltam a tomar de assalto a Sociedade Recreativa Olhanense.
O encenador charlatão, o alemão que estudou nos melhores teatros de Berlim, o pescador olhanense, o russo clandestino, a jornalista falhada com aspirações artísticas e a psicótica filha da produtora voltam a subir ao palco na próxima sexta e sábado para mais uma trama anestesiante.
O espectáculo (ou coisa parecida) tem início, como habitualmente, às 21h50 e os ingressos estão disponíveis no local.
Despachem-se a comprar os bilhetinhos que os gajos são tão bons, tão bons, tão bons que a coisa tem esgotado em menos de nada. E estão tão cansados, tão cansados, tão cansados que, tão depressa, não querem saber do estrelato.

30 abril 2008

confissões de uma noite crítica

Ok, confesso: já tinha saudades.Tinha saudades de toda esta adrenalina, de todo o dinamismo que se cria, do stress, da vontade de arrancar cabelos, pisar cabeças, chamar nomes aos outros para, no fim, sair com a consciência tranquila e a anestesiante sensação de dever cumprido.
A semana passada tivemos um fecho de edição complicado. Para além do semanário de 40 páginas, o POSTAL do ALGARVE lançou um novo caderno destinado ao ensino superior e ao mundo académico, sob o nome de FRA.
Um director, um editor, um paginador, um director de marketing e uma jornalista. Fechados numa sala. Em conflito absoluto. A orientar as linhas que marcariam o lançamento do novo projecto.
Trabalhámos quase 30 horas de seguida. Gritámos. Dissémos piadas. Quase amuámos. Não parámos um minuto.
Bebemos garrafas de Coca-Cola. Embriagámo-nos com litros de café. Aspirámos o fumo de dezenas de cigarros.
Mas conseguimos. O POSTAL e o FRA seguiram para a gráfica no tempo devido. E dos olhos cansados lançámos um brilho excitante. E dos lábios dormentes ecoou um sorriso rasgado e o agradecimento mútuo à grande equipa que juntos compomos.
Sim, confesso que já tinha saudades de dois dias e uma noite assim. 30 horas dão para muita coisa. E tudo o que dizemos sem pensar, e todos os gestos que largamos de cansaço, são compensados pelas sinergias que se criam e pelo espírito de companheirismo e entreajuda que, naturalmente, acabam por surgir.

27 abril 2008

...

E lá se passou mais um fim-de-semana.
Rever os cromos do costume e recordar caminhadas (e loucuras) de outros dias.
Usufruir de um jantar regado a memórias e animação.
Entrar na Ovibeja e beber cerveja em série (sim, tipo fonte, para manter o copo sempre cheio).
Derrotar alguns idiotas nos matraquilhos.
Ouvir de longe os Xutos (que parecem manter um contrato vitalício com a organização).
Encontrar toda a gente que não me apetece encontrar.
Reconhecer pessoas que o tempo apagou da minha história. E ouvir repetidamente "Epá, tás tão diferente!".
Tropeçar vezes sem conta em pernas alheias.
Comer farturas.
Provar queijos e enchidos.
Comprar pão e afins.
E regatear o preço de tranquitanas.
Hum... estes momentos de ócio são o sonho de qualquer pessoa.

24 abril 2008

aos cromos do costume

Sim, vocês, gajos e gajas de sempre. Pepina, Trevo, GrimReaper, Charles, Raspelho, Mesquita, Paulo Rosário e afins.
À semelhança do que tem vindo a acontecer em anos anteriores a Ovibeja está aí. Vai mais uma jantarada antes de nos lançarmos no recinto das Ovinoites?
Sim? Não? Talvez?
Próximo sábado, num sítio qualquer à escolha, nessa grande capital.
Quem quiser ir que se acuse para o meu telemóvel o mais rápido possível. Os não convidados podem aparecer na mesma.
PS- Filipe:
Ponto 1 - há quem leve umas gajas para te apresentar;
Ponto 2 - ficas encarregue de marcar o restaurante (daqueles very tipical);
Ponto 3 - convém marcares mesmo e não fazeres como da última vez.

22 abril 2008

...

Mudei-me. Mudei de habitação. Há já algum tempo. Mas só agora me apeteceu falar nisso.
Mudei o poiso de mim mesma - rapariguinha citadina, habituada a palmilhar as ruas da cidade repletas de gente e de luz - para me deixar engolir pelo silêncio quase inquietante do campo.
O lado bom: só vejo pessoas quando me apetece, não tenho visitas quando não quero porque ninguém sabe como lá chegar, e de ruído só ouço os galos que teimam em sofrer de insónias.
O lado mau: não vejo pessoas nem embirro com elas, não há cafés onde me abrigar em noites de vagabundagens, e para me manter dentro do mundo tenho de percorrer dois quilómetros de carro para chegar a qualquer lado que não é mais do que uma aldeola aparentemente perdida num espaço ainda em desenvolvimento.
O lado chato: por trás de casa não há luz, o que significa que todas as noites me roço pelas paredes à procura da entrada.
O lado irritante: esqueço-me sempre que agora moro no campo, ou seja, cada vez que saio do carro, atolo as botas em poças de lama.
O lado nem bom nem mau: quando chove encontro sapos a saltitar junto à porta e a minha cadela a olhar estupidamente para eles.
E, já agora, o meu obrigado ao Sérgio por me ter oferecido a fotografia que compõe a primeira peça colocada nas paredes da minha nova habitação.

18 abril 2008

relatos de um dia cão

Pois, deixei que Jose Gonzalez me entrasse pelos ouvidos para me manter alheia a um fim de dia de trabalho repleto de adrenalina, stress e os gritos a que as quartas-feiras já me habituaram. E, por momentos, consegui.
Depois, saio redacção fora, contente por ir chegar a casa antes das oito da noite.
Mas, como não há bela sem senão, quando ia com os vidros do carro abertos, a música alta e a minha voz de rouxinol a cantar por cima da música, heis que me apercebo da perseguição que uma mota da polícia me vinha a fazer. E para deixar de ter a mania de me armar em engraçadinha, lá desembolsei uma coima de 24, 96 euros.
E lá fui para casa, desta vez sem música alta e muito atenta aos sinais de trânsito. Desolada por, mais uma vez, não conseguir ver o pôr-do-sol do terraço da minha habitação.

16 abril 2008

...

E a banda sonora de hoje é Jose Gonzalez com In Our Nature.
É só para aliviar o stressezinho de um dia de trabalho cão.

15 abril 2008

old stories

Ups… vou ter de contar. Ups… não consigo deixar de relevar. Mas shiuuu… é um segredo. Parece que, afinal, ainda mantenho laivos de arruaceira. Então não é que me continuo a perder por um bom confronto, que ainda me dá algum prazer mostrar o meu ar mais arrogante e mandar calar quem me enfrenta?!
- Ói, baixas a voz quando falas comigo - sussurrei-lhe.
E a rapariguinha, no cimo dos seus saltos, baixou não só a voz como também o olhar.
- E calas-te quando estou a falar.
E ela calou-se.
E entretanto lá continuei a olhar a desgraçada com a minha pseudo pose de superioridade (que não tenho, mas que finjo ter nestas alturas) e a explicar-lhe em breves palavras a razão do meu desagrado.
E lá continuei a fumar pausadamente o meu cigarro e a lançar-lhe bolas de fumo para a cara (que nada têm de sensual, diga-se de passagem).
Estava de saída, mas só para poder apreciar o nervosismo de outrém, fiquei mais um pouco. E não vou mentir. Sim, deu-me prazer. Deu-me algum prazer. E até fui trabalhar a seguir toda contente.
Só mais tarde me lembrei que talvez a rapariguinha não tenha captado a mensagem. Acho que, para a próxima, vou ter de falar ainda mais lentamente.

11 abril 2008

A xaga continua!

Apesar dos atentados bombistas e do grande aparato policial que se formou junto à Sociedade Recreativa Olhanense, eles não desistem e a xaga continua!
A GORDA volta a apresentar hoje e amanhã, pelas 21h50, o épico BAILARINAS E PÉZINHES d'XUMBE II - a xaga continua!
Apareçam. Em troca do preço dos bilhetes, o grupo oferece tomates maduros. Vai valer a pena!

08 abril 2008

...

Gosto de conduzir.
Gosto de conduzir sozinha.
Gosto de conduzir sozinha noite dentro.
Gosto de conduzir sozinha, noite dentro, quando a chuva parece arrastar consigo todas as minhas inquietações.
Gosto de conduzir sozinha, noite dentro, quando a chuva parece arrastar consigo todas as minhas inquietações, por caminhos que não sei onde me levam.
E foi o que fiz ontem à noite. Com Cat Power como banda sonora.
Só quando me perco nas estradas que não conheço, como também aconteceu ontem, e o gasóleo se prepara para chegar ao fim, é que não gosto de conduzir sozinha, noite dentro, quando a chuva parece arrastar consigo todas as minhas inquietações, por caminhos que não sei onde me levam.
Como tudo o resto, também as vagabundagens têm prós e contras.

07 abril 2008

Bailarinas e Pezinhes d'Xumbe II - a xaga continua!

Ninguém lhes pediu mas eles estão de volta:
o encenador, que tirou um curso intensivo de três meses, comprou um lenço, e um cachimbo e prantes; o russo, que teima em ser o zorro; e as bailarinas do costume.
Depois da encenação do épico Romeu e Julieta - essa pérola histórica do historial olhanense - em que se prova que Romeu e Julieta eram de Olhão (ele, filho de pescadores e ela filha dos dones da fébrecas) e que, por viverem um amor impossível, fugiram, para ficar juntos, numa traineira para Marrocos -, eles voltaram com mais uma encenação maravilhosa, benita... de outra história de Olhão - a história da Branca de Neve, narcida e batizada em Olhão...
Qu'essa é qué a verdade verdadinha que tá escrite dos livres!
Quinta/10, sexta/11, sábado/12, pelas 21h50, na Sociedade Recreativa Olhanense.

04 abril 2008

...

Obrigado pelas entradas.
Obrigado pela massinha de peixe.
Obrigado pelo(s) copo(s) de vinho.
Obrigado pelo pão caseiro.
Obrigado pela decoração.
Obrigado pelo ambiente.
Obrigado pelas horas de conversa.
Obrigado por me teres aliviado da alma um dia de doze horas de trabalho e três de sono mal dormido.

27 março 2008

a lógica do bidé

Fui, também um dia destes, tomar café com um amigo na cidade pombalina de Vila Real de Santo António.
Foi lá que tive a confirmação de um dos mais estranhos hábitos das gajas. Outras, que não eu. Que fique isto claro!
Vou à casa de banho e deparo-me com um lindo quadro. Duas sanitas lado-a-lado. E simetricamente dois bidés, dois baldes do lixo, dois lavatórios, dois sabonetes, duas toalhas e mais qualquer coisa em duplicado de que agora não me lembro.
Estranhamente, houve alguém que resolveu anuir ao estranho hábito das gajas irem aos pares à casa de banho. Outras gajas que não eu. Que fique claro!
Nunca percebi a mania. E muito menos percebo o facto de alguém ter pensado nisso e arranjado forma de tornar tudo mais confortável para quem se desloca em grupo.
Há mesmo malucos para tudo!

esta noite

Esta noite apetece-me jogar almofadas ao chão. Atirar pratos à parede. Rasgar lençóis. Descoser peças de roupa. Riscar móveis. Partir cadeiras. Arrancar cabelos. Fazer nódoas negras no corpo. Dar cabeçadas na parede. Pôr a música aos berros. Afugentar os vizinhos.
E gritar. Gritar muito. Apetece-me encher os pulmões de ar e soprá-lo cá para fora com toda a minha raiva. Quero gritar. Esbracejar. Estrebuchar. Barafustar. Atirar-me à Ria. E deixar-me abandonada.
Mas permaneço neste silêncio ensurdecedor.
E deixo-me consumir por ele.
Acabo por me render.

26 março 2008

histórias

Precisei, no outro dia, de ir à DGV. Como não sabia como lá chegar, larguei o carro no primeiro canto livre que encontrei, relativamente perto do local que me haviam indicado.
O sol fazia-me fervilhar o pensamento. E o meu passo acelerado e descoordenado quase me fez cair ao chão. A sensação de achar que ia perder mais tempo à procura do que aquele que tinha disponível, levou-me a abordar o primeiro rosto que o meu olhar cruzou.
- Sabe dizer-me onde fica a DGV? Disseram-me que era por aqui, inquiri tentando não assustar com a minha pressa quem se preparava para me responder.
- Sim, eu levo-a lá, disse-me o senhor.
- Não, não é preciso. Diga-me só como lá chegar?, pedi impaciente, após perceber a clara dependência do simpático homem.
- Eu levo-a lá. Não se preocupe, insistiu, alheio ao meu desagrado.
Conformada com a minha companhia, segui o seu passo.
O desgraçado do homem preparou-se para atravessar a estrada comigo à sua perna. Qual não foi o meu espanto, quando conseguiu parar quatro vias de trânsito frenético só para me deixar passar.
Sorri e agradeci ao perceber que, ao longo dos últimos tempos, este foi o gesto mais simpático que alguém teve comigo.
E lá fui eu, toda contente, acompanhada de um agarrado, avenida acima, até à DGV. Como compensação, cravou-me 50 cêntimos para beber um café.
Dada a simpatia, nem me importei. Apesar de continuar a achar que já não se fazem homens como antigamente.

25 março 2008

o tempo, o tempo...

E o tempo continua a passar...
E hoje tirei a hora de almoço para ir ali ao canto chorar um bocadinho.
E depois passou-me.
E recompus-me.
E sinto-me agora pronta para uma nova batalha.

26 fevereiro 2008

mais dias comuns

Apercebi-me agora que passou muito tempo desde a última vez que abri esta página.
Passou mais uma noite de eclipse. Um eclipse tardio que me manteve acordada noite dentro. Com o momento, percebi que chegou ao fim mais um ciclo da minha existência. Um ciclo também ele iniciado numa noite de eclipse, agora apenas guardada na caixa das memórias eternas.
Terminou um ciclo para dar lugar a um novo. Que não sei ainda a que rumo me levará. Terminou um ciclo para dar lugar a um novo. Porque cada meta não significa um ponto de chegada, mas sim um novo ponto de partida nesta imparável dinâmica da vida.
Tenho andado ausente do mundo dos outros. Empenhada nesta busca incansável do meu próprio.
Entretanto, retornaram aos meus dias pessoas cuja lembrança se perdera no tempo. E percebi que as de sempre me permanecem fiéis. Tive reencontros que achava não serem possíveis. E deixei que os meus passos me afastassem do caminho que julgava ser o meu.
Nasceu hoje um novo dia. Solarengo. Primaveril. Deixei as portas abertas a outras histórias. E deixei para trás os contos de outros dias.
Não sei que caminhos vou palmilhar daqui para a frente. Não sei se o ócio e as esquinas dos dias comuns me vão acabar por dominar. Não sei que comboios me guiarão.
Sei apenas que o sabor ardente e agridoce desta manhã me fez fervilhar a alma, na ânsia de agarrar o mundo.

01 fevereiro 2008

...

Muito gira a campanha que a Junta de Freguesia de Olhão tem vindo a fazer para convencer a população a apanhar os dejectos dos cães. Pena que os suportes com os saquinhos plásticos estejam vazios sempre que fazem falta.
Por que não arrenjei eu um peluche?!

24 janeiro 2008

...

Hoje, por breves momentos, resolvi deixar o mundo dos outros para abraçar apenas o meu. Num acto efémero de busca de mim própria. Ou de outra coisa qualquer.
Peguei no carro e deixei que fosse a lua a conduzir-me. Levou-me a um sítio conhecido, outrora refúgio das minhas inquietações. Sentei-me na areia e deixei que o mar me levasse os pensamentos. As incógnitas. As reticências.
Sentei-me na areia e voltei a senti-la. Voltei a sentir. Por lá permaneci horas a fio. E aguardei, paciente com a minha impaciência.
Deixei que o turbilhão desordeiro que me consome se esvanecesse. Para ficar apenas eu. Comigo própria. Na ânsia de me agarrar.
Espero que estes instantes se voltem a repetir.

08 janeiro 2008

não há falta que não dê em fartura, diz o outro

Olhão iniciou, no passado sábado, as comemorações dos seus 200 anos de passagem a vila. Hoje cidade. O dia começou com pequenos passeios pela Ria Formosa no caíque Bom Sucesso, o barco que em 1808 levou um punhado de olhanenses ao Brasil.
As principais ruas da cidade receberam a arruada da banda 1º de Dezembro. Os mercados foram palco das actuações das Charolas de Bias, Cavacos e Quelfes. E só por volta da hora de almoço, o senhor presidente procedeu à sessão solene de abertura das comemorações. Sempre em boa hora.
Pela tarde, a baixa da cidade ganhou alguma vida com animação de rua. Mas, como sempre, nem tudo são rosas. A autarquia quis comemorar a data em grande, promovendo uma série de actividades a decorrer em simultâneo.
Resultado: entre as praças ouvia-se jazz. Um pouco mais à frente, charolas no coreto. Cinquenta metros depois, uma banda de covers com um repertório sem nexo. Quem se aproximava da baixa da cidade não conseguia ouvir nem jazz, nem charolas, nem outra coisa qualquer.
Restou o dia cinzento que acabou por cobrir o céu (por que terá sido?!) e o emaranhado de actividades às quais o público não conseguiu responder.
Como dizia um amigo, não há falta que não dê em fartura.

04 janeiro 2008

esquisitices

Pára a esquisita no meio da rua. E olha para trás com um estranho ar de fascínio. De surpresa. De espanto. E de reprovação.
Pára a esquisita no meio da rua. E olha para a outra esquisita. Não, não é a de cesta na cabeça. Não, também não é a dos cães. É a outra. Uma nova. Aquela de roxo. Aquela que se assemelha à bruxa da pequena sereia que a Disney tão bem descreveu. Sim, essa mesmo.
A esquisita pára e fica a olhar para a outra esquisita. A esplanada pára também, por momentos. As conversas ficam inacabadas. Os cafés arrefecem nas chávenas. Os cigarros queimam com restas de oxigénio. Para depois tudo voltar à normalidade.
A esquisita parou na rua e ficou a olhar para a outra esquisita. E espantou-se por ver mais alguém diferente.
São efemérides dos dias comuns.

03 janeiro 2008

promessas, promessas...

Este ano optei por não prometer nada. Por ainda ter por cumprir a única promessa que fiz o ano passado.
Resolvi tornar-me uma pessoa mais regrada. Mais saudável. Então, palmilhei todos os ginásios da cidade onde habito. Pretendia voltar a fazer desporto. Cuidar mais da saúde. E perder alguns quilinhos.
- "Ah, essas bolas de gordura nas ancas desaparecem num instante naquelas máquinas", disse-me o dono daquele pseudo-centro de estética, enquanto me olhava de cima a baixo.
- "E as pernas. Vocês precisam de delinear as pernas", continuou, alheio à minha cara de desagrado. Voltou a olhar-me de cima a baixo. E a dar a volta para ver melhor.
- "Sim, nas máquinas isso sai tudo", repetiu.
Mas eu lá tenho bolas de gordura nas ancas?! E as penas, qual o mal das minhas pernas?! Dei meia volta e sai porta fora. Lá se vai novamente a promessa do ano passado.
Para compensar o desgosto de ter alguém a chamar-me gorda, resolvi jantar duas sandes de atum com maionese. Que se lixem as promessas.