10 setembro 2017

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Procurei por ti em todos os rostos, julgando ver pedaços teus em cada um. Esperei-te a cada um dos instantes desta noite inteira. E quis prolongá-la para lá de todas as horas, sabendo-a a última. Arrastei-a enquanto pude, inventado cigarros que fumar, tempo que dizer.

Quando os rostos se esgotaram esperei, imóvel, que me surpreendesses. Não me mexi, não fosse perder-me do teu encontro. Mas o teu abraço não chegou. E o frio que veio da ausência da tua vontade entranhou-se-me na pele em teu lugar e enregelou-me a alma. O mundo doeu-me. E as lágrimas soltaram-se, ainda mornas de tanto querer. Chorei até que a noite se finasse. E tu nunca chegaste.

Quis “abrir-me contigo, desabafar contigo, falar-te da minha solidão”. Achei que compreenderias. Mas tu nunca vieste. E as palavras da canção que sei de cor e que hoje podia ter sido nossa tiveram como único fado o meu abandono. “O Bairro do Amor é uma zona marginal, onde cada um tem de tratar das suas nódoas negras sentimentais”.

Podia ter-te amado...