26 fevereiro 2011

impacto

Talvez sejam os sonhos o que me mantém erguida. Talvez seja por eles que tantas vezes afasto a capacidade desvirtuada de me proteger. Talvez sejam também eles quem, na fragilidade, me arrasta para o abismo. Regresso sempre mais forte. Talvez no fundo eu seja uma mulher (serei já mulher?) de fés. De crenças. Parece que acredito. Parece que teimo em acreditar. Em mim. Nos poucos que são os meus. Na estrutura, nem sempre sólida, a que chamamos Humanidade.

Talvez o mundo não me engula. A mim ou às minhas convicções. Talvez eu resista, assim mesmo, entre a debilidade da menina sonhadora e a destreza de manter intactos os valores utópicos que noutro dia me incutiram.

Não, o mundo não me vai devorar. Talvez eu consiga continuar esta busca inconstante pela satisfação. Por uma plenitude mais que momentânea, mais que efémera, que não sei sequer se existe. Sim, são os sonhos que me mantêm viva. Com toda a infantilidade. Com toda a imaturidade. Com toda a instabilidade. São eles quem me rege. E cada um deles vale, incontestavelmente, a sinuosidade dos passos que o precedem.

Daí que na implacabilidade de um único instante, efémero e irrepetível, todo o eixo que me sustenta se revire sobre si mesmo. O mundo todo pode mudar.

Poderia hoje, aqui e agora, o universo reinventar-se. Poderiam renovar-se todos as palavras. Poderiam povos inteiros gladiar-se na disputa de razões equívocas. Poderiam os céus abater-se sobre a fome dos homens. E a imensidão dos rios fazer emergir das encostas os oceanos.

Poderia parar o tempo. Assim. Como eu o sinto. Intacto.

Que permaneceria aqui, neste exacto lugar, desarmada. Com o peito preso às palavras afónicas que não consigo lançar-te. Com um fulgor ardente a calar-me a boca. Com o sangue a pulsar-me ainda nas veias um odor lascivo que não é meu. Com o teu corpo entranhado nos poros da pele e da alma.

Talvez se o mundo todo se revirasse lá fora eu abandonasse o medo. Por um instante apenas. Para te dizer...

2 comentários:

margoh werneck disse...

talvez seja um canto assim que anima a gente a sonhar, né nao???

te sigo.

beijao

LiSa disse...

Talvez seja o que nos mantém erguidos.
Abraço.
E obrigado.