23 agosto 2009

o mesmo de sempre

“E agora o que fazemos?
O mesmo de sempre” já se ouvia em Pipas e Alcagoitas – a prova que o amor é eterno e outras estórias do inferno.
Já ela perguntava, ingénua. E ele respondia, conformado.
Vive-se o mundo dentro de nós. Viaja-se pelo mundo dentro daquilo que somos. Parte-se e regressa-se. Sem razão aparente. Sem objectivo. Sem fio condutor. Vive-se a vida e entrega-se-a a outros. Para que nos mostrem o que fazer dela. Para que lhe dêem um rumo ou um sentido. Para que a agitem ou a ponham no lugar.
Vivem-se os dias e as estações. Uns atrás dos outros. Umas a seguir às outras. Cresce-se com as horas e aprende-se com o tempo.
No corropio das manhãs ensolaradas há minutos que correm mais devagar. Que se expandem pelos poros da pele e se dilatam na magnânime energia dos sentidos. Há o estar vivo e o viver. Há estados que se cruzam e se afastam. E a impenetrável verdade de que a procura jamais deixará de existir.
E agora o que fazemos?
O mesmo de sempre.

2 comentários:

Anónimo disse...

Vivemos! Se bem que me apetece mais desistir e morrer!

Lisa disse...

Todos nós temos sensações opostas que entram frequentemente em choque. A euforia desmedida e a ruptura compensam-se de tempos a tempos. Também eu quero desistir. Dia sim. Dia não. Força. Para mim e para ti.