28 maio 2009

saudade

A aproximação de cada novo fim-de-semana arrasta consigo esta nostalgia da cidade que me viu crescer.
Os dias passam.
As semanas correm.
E o tempo que foge desenfreado teima em não ser suficiente para matar saudades.
Hoje sinto a falta de casa.
Hoje sinto a falta das gentes da minha casa.
E anseio, com uma força desmedida, um regresso sem entraves, sem preocupações, sem turbulências ou impedimentos.
Sinto a falta dos abraços familiares.
Do aconchego dos amigos.
Dos sorrisos do primo mais novo.
Do carinho do irmão da mesma idade.
E do afago de uma mãe sempre presente.
Hoje sinto a falta de tudo isso e muito mais.
E hoje apenas a certeza de poder retomar esse rumo me deixa capaz de prosseguir esta luta interminável.

22 maio 2009

poema do português errante

E para me redimir daquilo que disse da poesia do Manuel Alegre, segue aqui um dos poemas de que gostei. Sim, porque nem toda a escrita lírica do homem é má.
...........................................
"Por um caminho à noite caminhava
caminhava de noite sem sentido
pela própria cadência era levado
caminhava movido por um ritmo
a música interior que mais ninguém
ouvia. Caminhava de noite e não sabia
sequer o rumo e o sentido. Nem
a rosa dos ventos e os pontos cardeais
nem Cruzeiro do Sul nem bússola nem estrela.
Caminhava por caminhar. Apenas
por um íntimo impulso um movimento
irreprimível do seu próprio pensamento.
Ou nem sequer. Talvez não fosse
senão a própria marcha. Um corpo
avante. Um corpo em seu mistério caminhante
não mais que um corpo em marcha no caminho
ninguém sabe se certo se perdido.
E só se ouvia o som do seu arfar
e não havia aliás outro sentido
senão o de caminhar por caminhar."

21 maio 2009

paixões. simplesmente.

Vivo apaixonadamente.
Como, de resto, sempre o fiz.
O que não significa que me apaixone facilmente.
Apenas que sobrevivo de paixões e que não o saberia fazer de outra forma.
Apesar dos lamentos.
Das lamúrias.
E dos queixumes.
Vivo apaixonadamente.
Porque é esta a única forma de me sentir.
Apaixono-me pela minha casa e pelo meu trabalho.
Pelo convívio e pela solidão.
Pela poesia e pela prosa.
Pela música e pelo futebol.
Pelo Alentejo e pelo Algarve.
Apaixono-me simplesmente.
E sou feliz assim.

15 maio 2009

no mundo dos outros - versão X

Saio de casa numa noite quase de Verão, para ir comprar tabaco. Só e nada mais. Aguardo a minha vez na estranha fila do quiosque. E há logo quem me dirija a palavra.

- Eu sei o que é que a menina tem. E sei como curá-lo – disse-me um senhor (que eu não chamo maluco a quem não conheço).
- Diga lá então.
- A menina foi invadida por um ser, que a está a possuir. Foi picada.
- Por um mosquito…
- Não brinque que isto é sério. Não foi um mosquito. Foi um ser, mas não se preocupe que não lhe quer fazer mal. Vai ensinar-lhe como ser uma boa pessoa.
- Mas eu já sou boa pessoa.
- Vai ser ainda melhor. Mas se quiser que se vá embora, basta fumar este charuto - disse, enquanto sacava de um do bolso – vai ver que essa tosse desaparece logo e que não se volta a engasgar. Isso é o ser que está dentro de si. Acredite, que é verdade. Também já passei por isso.

E eu lá fui à minha vidinha, de charuto na mão e sem tabaco, que me libertasse do ser que me invadia e das conversas dos tontos da rua. E é assim que se vai vivendo no mundo dos outros.

05 maio 2009

...

Pela primeira vez, num quarto de século de existência, falhei a Ovibeja.
E falhei-a por uma série de estranhos motivos.
E um deles foi assistir à cabazada futebolística sofrida pelo SC Olhanense.
Mais valia ter ido ouvir a Rita Redshoes, dar beijos à família e beber copos com os amigos.

24 abril 2009

elucidem-me

Alguém me explica por que é que alguém vai a um restaurante chinês pedir para não pôr rebentos de soja na comida?
E alguém me explica por que é que alguém vai a um restaurante chinês comer batatas fritas pré-congeladas?
Alguém me explica por que raio é que esta gente não vai ao McDonald's?
Às vezes tenho vergonha de pertencer à mesma espécie que muitos aliens que por aí andam.

17 abril 2009

procura-se

Menino ou menina que saiba como mudar a cara deste espaço de divagação.
Máxima urgência.

PS- Dava-me algum jeito que não fosse o Zé Diogo a fazê-lo. É humilhante ter de pedir a um puto de 11 anos.

15 abril 2009

...

- Oh, Lisa, estás bronzeada. Foste à praia?
- Não, fui à bola, que é quase a mesma coisa.

14 abril 2009

Atestado de Ignorância. Ou talvez não. II

Sim, gosto de telenovelas.
Sim, vejo telenovelas.
Sim, das brasileiras.
Não, não vejo telenovelas portuguesas.
Não, não vejo telenovelas melodramáticas.
Não, não vou para casa de propósito para me sentar em frente ao ecrã a fazer malha e a comer pipocas.
Mas sim, se não tiver mais nada para fazer vejo a telenovela.
E não, não acho que assistir a novelas seja coisa de gente pouco inteligente.
E não, não tenho paciência para os pseudo-intelectuais que acham que ver novelas é perda de tempo.
Porra.
Se faço teatro e vou ao teatro.
Se vejo cinema e assisto e DVD’s.
Por que raio não hei-de ver novelas?

13 abril 2009

confirma-se

Sim, confirma-se.
Assim que perco de vista a Via do Infante rumo à outrora Pax Júlia, o sotaque regressa sem hesitar.
Quando venho de terras alentejanas, a voz parece arrastar-se e todo o meu vocabulário passa a fluir de uma forma substancialmente mais lenta.
E isso até não é mau.

09 abril 2009

Atestado de Ignorância. Ou talvez não.

Andei a ler o Livro do Português Errante, de Manuel Alegre. Li. Reli. Folheei.
E li mais devagar.
Pablo Neruda disse, um dia, ao seu carteiro que as palavras eram como os beijos e que, por isso, deveriam ser saboreadas. Lentamente.
E, com o Livro do Português Errante, foi o que fiz. Li. Reli. E saboreei todas as palavras.
Como não surtiam qualquer efeito em mim, fi-lo novamente. Saboreei-as. Degustei-as. Consumi-as lentamente.
Até que percebi que me sabiam mal. Que o seu aroma não me causava qualquer impacto. E que, de forma alguma, poderiam ser comparadas a um beijo.
Li o Livro do Português Errante. E não gostei. Houve poemas que me despertaram o interesse. Pelo nome. Ou pelos primeiros versos. Mas depois… nada. Absolutamente nada.
Acabo de passar a mim mesma um atestado de ignorância. Ou talvez não. Para além de José Régio e mais um punhado de nomes, os versos não me causam sensações. Não me causam absolutamente nada. Não me dizem nada. E em nada se identificam com o que espero da poesia.
Ou o meu QI não é alto o suficiente para entender. Ou existem mensagens que não consigo decifrar.
De qualquer forma, não quer isto dizer que não goste de obras poéticas. Quer apenas dizer que não gosto da obra poética de Manuel Alegre. Desta, pelo menos.

08 abril 2009

...

Continua tudo igual.
As manhãs ensolaradas.
As tardes de esplanada junto à Ria.
A azáfama e as complicações laborais.
Os tombos descontrolados na rua.
As avarias constantes dos electrodomésticos.
A louça que teima em fugir-me das mãos.
O regresso de alguns amigos.
A partida de outros.
A cunhada que me roubou o irmão.
A mãe que se sente desocupada.
E eu. Com as minhas histórias. E as minhas vagabundagens.
Eu e o meu mundo.
Eu. De regresso ao mundo dos outros.

17 outubro 2008

ALERTA ÀS TROPAS

Mais se informa que algumas das informações contidas neste espaço de divagação serão automaticamente eliminadas assim que publicar esta mensagem.
Regresso quando o 25 de Abril for uma realidade.
Over.

14 outubro 2008

e a coisa funciona assim:

Uma gaja sai de casa a caminho de Alcantarilha, que fica algures no concelho de Silves, para ir à inauguração de dois novos campos de golfe com a presença do senhor ministro da Economia.
Está numa ponta do Algarve (a contrária aquela onde tem de ir) e ainda passa por Albufeira porque precisa de falar com a secretária do senhor presidente da Câmara (é só senhores, o dia inteiro). Quando a conversa termina ruma a Alcantarilha. Entretanto, telefonam à gaja a avisar que afinal a inauguração vai começar mais tarde e que quem vai estar presente não é o senhor ministro mas sim o senhor secretário de Estado do Turismo.
E a gaja pensa: o que raio vou eu fazer nestas duas horas e meia? Sim, DUAS horas e MEIA. E chega a Alcantarilha para comprar o jornal e matar tempo no café. Só que Alcantarilha é tão grande, tão grande, tão grande que só tem igrejas e cafés para a malta nem vê-los.
Então, a gaja resolve ir à procura do dito empreendimento turístico onde vão ser inaugurados os campos de golfe. Pelo sim, pelo não, fica já a saber. Só que entretanto, foi parar a Silves e quando reparou já tinha andado 30 quilómetros no sentido inverso. Depois de comprar o jornal (que mais um bocadinho já era do dia anterior) e tomar um café, um puto com cerca de 6 anos ameaça roubar-lhe (MESMO) a porcaria do telemóvel. E a gaja, que resolveu calçar umas botas de salto e não lhe apetece andar a correr atrás de ninguém, pega no carro e tenta encontrar o caminho de volta.
Pelas 19 horas (como marcado), lá consegue chegar ao resort, onde uma multidão de ar arrogante continua a aguardar.
Click click que lá vem a presidente da Câmara. Click click que é o da Região de Turismo. Click click que chega o administrador da cadeira de hotéis. Click click que é o maluco com ar de importante. E, click atrás de click, passa uma hora e meia. E o senhor secretário de Estado ainda não deu ares de quem está vivo.
E a gaja a pensar: ok, a primeira tacada é dada cá fora. A placa a ser descerrada está colocada cá fora. Os discursos têm lugar cá fora. Esta gentalha está toda cá fora. E esta merda só tem iluminação lá dentro. Como raio vou eu tirar fotos sem luz?
E entretanto, pelas 21 horas, lá o homem chega. E arrogância das arrogâncias em vez de seguir a porra do programa, resolve sentar-se à mesa para jantar.
E aqui a gaja, farta da merda de dia, da porra dos pés que doem, da máquina mais o gravador mais o caderno mais as canetas mais o dossier de imprensa que pesam como o raio, pegou nas perninhas, fez adeus à assessora e pôs-se a andar.
Raios parta esta cambada que não respeita ninguém, não se lembra que há quem tenha de trabalhar porque é dia de fecho de edição e a informação não pára e a única coisa que faz para que o país ande para à frente é fazer os outros aguardar pacientemente.

13 outubro 2008

porquê?

Por que é que ao domingo só me apetece ficar estendida no sofá a engordar?
Por que é que só ao domingo (quase segunda) de madrugada é que me lembro que a casa continua de pernas para o ar?
Por que é que só a partir das duas da matina me apetece varrer o chão e passar roupa a ferro?
Por que é que a esta hora é que me lembrei tenho a baínha das calças para coser à mão e as unhas para pintar?
Por que é que é quase segunda e eu não escrevi a porcaria das peças sobre o raio que o parta que se vai passando na actualidade algarvia?
Por que é que ainda me faltam três fechos de edição para terminar a porra do mês e largar o posto laboral?
Por que é que estou para aqui a dizer parvoíces e não vou deitar?

24 setembro 2008

à menina dos olhos negros

Observo-a da varanda de casa, despertada pela voz suave que irrompe da rua entoando cânticos de amor lançados na escuridão. Observo-lhe as calças justas, a blusa curta e as sandálias de salto a condizer. Observo-lhe o aprumo da vestimenta encarnada que sobressai na monotonia e a forma descontraída com que agita a cabeça, fazendo rolar sobre os ombros as longas madeixas de cabelo preto.
Observo-lhe o pontapear das pedrinhas da calçada e a calma inquietação de quem parece nada temer.
-Hey, dear! – exclama ao sinal da minha presença. Lanço-lhe um sorriso e despeço-me com o piscar duplo de olhos que costumo lançar a quem me acarinha.
Prossegue solitária pela rua, àquela hora ainda vazia de agitação. Um dois, um dois, um dois… Salta as poças de água como uma criança e retoca o batom nos lábios com a ajuda de um espelho gasto pelo tempo.
Um dois, um dois, um dois…
Dança sozinha pela avenida, rodopia nos seus próprios passos e murmura canções que só ela parece conhecer. E prossegue. Um dois, um dois, um dois… alheia ao emaranhado de mundo que a rodeia.
Está uma noite fria e a clientela parece escassear. Não tarda o dia acorda para mais uma manhã.
Um dois, um dois, um dois… continua ela entretida no seu baile singelo, abalroado pelo silêncio. Ela parece-me ser feliz. Ou aparenta pelo menos estar feliz, inconsciente da sua inconsciência. Mantém no rosto um olhar de menina, que os dias apagaram do corpo mas não da alma. Mantém no rosto uma doçura desconhecida que contagia.
Esta noite observo-a mais uma vez, enquanto o fumo do último cigarro se esvai na neblina da madrugada. Alegra-me saber que sobrevive a cada novo dia e a cada nova manhã. Alegra-me saber que canta e dança feliz. E que sorri quando os primeiros sinais do Outono se começam a fazer sentir.

22 setembro 2008

click

- Diz que comprou um garrafão de aguardente e que está quase despachado! - confessou um.
- Ah, menina, a aguardente dá cabo de mim - murmurou-me entredentes quando lhe peguei nas mãos.
- Mas você é uma boa menina. É o que vale.
Momentos antes quis fotografá-lo. A ele e aos outros. Às conversas à porta do café. Às cadeiras do lado de fora encostadas à parede, onde ainda assomava o olhinho do sol.
Quis fotografá-lo segundos antes. A ele e aos outros. Às roupas de final de tarde. Às camisas engomadas e às calças com vinco. Aos sapatos de dias de festa. À pose de quem nada mais espera senão o lento transitar das horas.
Naquele momento quis imortalizar o quadro a que assistia. Mas ele caiu. E apenas a força da minha, ainda, juventude pôde ajudar a erguê-lo. Rodaram os rostos na minha direcção. Soltaram-se sorrisos singelos de agradecimento.
- Afinal, ainda há boas pessoas - disseram aos outros.
E o instante, aquele instante em que as minhas mãos carregaram o seu corpo escasso de carne tornou-se o motivo de conversa que antecedeu a última festa de verão na aldeia.
- Ah, Manel Cantigas, ficaste à espera que uma mocinha nova te viesse apanhar do chão. Ainda tu dizes que não vês...

17 setembro 2008

no mundo dos outros...

Aguardo a chegada do gaspacho que escolhi para jantar, na esplanada que habitualmente me acolhe nas noites tardias de terça-feira. Aparentemente invisível, escuto silenciosamente a discussão que se começa a gerar atrás de mim.
- 70 cêntimos um café é um roubo. Na Tavirense, que é uma esplanada chique, é só 60 - grita uma, com o estranho sotaque de quem não é da região.
- Deixa-te estar calada. Isso é alguma coisa?! Tens tanto dinheiro quanto eu - responde a outra, também ela exaltada.
De repente, levantam-se para sair e dão pela minha presença.
- Menina, você viu aquela notícia da criança que morreu no micro-ondas? Eu farto-me de chorar com isso. E ela a armar zaragata por causa de 10 cêntimos.
- É lamentável - digo-lhe eu, agarrrada ao livro que gostaria de continuar a ler.
- Olhe, você é que é uma menina muito bonita. É ou não é? - pergunta, então, à empregada, que manteve o silêncio.
- É mesmo muito, muito bonita. É que é mesmo. Olhe, felicidades é o que lhe desejo, que a menina é jovem e muito bonita.
E lá partiu, rua a baixo, repetindo em tom monorcórdico que eu era muito bonita.
E eu lá fiquei, sem vontade de voltar a ler, à espera do gaspacho com o confortável sorriso de quem vai vivendo no mundo dos outros.

16 setembro 2008

achados

Esta noite descobri uma coisa extremamente interessante. Descobri que há uma receita chamada "Dona Galinha foi à praia" e que, tanto quanto sei, é tipicamente algarvia, tendo origem em Portimão.
Não é giro eu viver no Algarve há seis anos, ser viciada em petiscos e nunca ter ouvido falar de tal coisa?
À pala de tão magnânime descoberta, hoje sinto-me muito pouco inteligente.

05 setembro 2008

se fosse eu que mandasse...

... ao destino que tinha preparado para grande parte dos políticos, religiosos e membros de agrupamentos de escuteiros, juntaria quase todos os paginadores de jornais que conheço.
E depois...
... booommmmm...
Encostava-os à parede e fuzilava-os.
Já não tenho pachorra para estes pseudo intelectuais com a mania que sabem muito de estética, design e o raio que o parta, e depois só fazem merda porque não sabem ponta de um corno de informação.
Ah! E alguns directores de jornais que também conheço, que tenham dinheiro, "mais de 20 anos de experiência" mas que só vêem cifrões e não sabem escrever uma linha...
... esses iam todos pelo mesmo caminho!
Pronto! Já me sinto muito melhor!

27 agosto 2008

mocinha de recados

Qualquer dia fazem-me uma espera e dão-me uma tuna de porrada.
- A porradinha que era para dez vai toda só para ti – dizem em terras olhanenses.
Farta que estava de só ouvir avecs, bimbos do Porto e trolhas de Lisboa (sem ofensa às boas pessoas), e nunca ter lugar para estacionar a porra do carro quando chego a casa, comecei a pendurar bilhetes no vidro de todos os outros veículos.
- É favor não deixar o carro a tapar a saída.
-
Por favor, não estacione o carro a tapar a entrada do parque porque há lugares livres lá à frente e eu não consigo passar.
E hoje, por fim…
-
Da próxima vez que me trancar o carro pode ser que, acidentalmente, um camião de mercadorias passe por cima do seu.
**da-se que não há paciência para tanto tóino!
O mal foi ter assinado todos os recados. Qualquer dia descobrem onde moro.

22 agosto 2008

ups...

E quem terão sido as mentes iluminadas que resolveram mudar os ares à casa e penduraram um canteiro de flores no meio da parede da sala, a metro e meio de altura, entre a porta e a janela?
E quem terão sido as mentes iluminadas que lá plantaram umas sementinhas que em dois dias tinham um palmo de altura?
E quem terão sido a mentes iluminadas que estranharam aquilo crescer tão depressa?
E quem terão sido as mentes iluminadas que só depois se aperceberam que as plantinhas tinham o nome de girassóis gigantes?
E quem terão sido as mentes iluminadas que conluiram que se são gigantes é porque vão ficar altos?
E quem terão sido as mentes iluminadas que só à segunda viram que aquelas coisas iam atingir dois metros de altura?
Porra!
Devíamos ler bem as embalagens antes de comprar aquelas coisas porque a natureza e os ares e o raio que o parta e fica bem e é engraçado e o caraças é que é!

11 agosto 2008

E só porque sim...

… hoje sinto-me uma grande mulher. E ontem também. E no dia anterior também. E na sexta-feira à noite muito mais que em qualquer destes dias.
E só porque sim, apesar do meu minúsculo metro e sessenta e sete centímetros, fui içada por uma grua a 60 metros de altura para me deliciar num espectáculo dos polémicos La Fura Dels Baus.
E só porque sim senti um misto de euforia, coragem e medo como o caraças.
E só porque sim resolvi, durante três excitantes dias, tornar-me acrobata.
E só porque sim continuo a recusar-me a subir a mesas e a escadotes sem a presença de um arnês, um fato completo de mergulho, ornamentado com tubos de água, e técnicos de segurança espanhóis.
É que tenho um medo desmarcado de alturas, morro de vertigens e, se a coisa dá para o torno, posso cair e estatelar-me no chão de tal maneira que só me conseguirão de lá tirar com uma espátula.
Por isso, aventuras só mesmo a 60 metros acima da linha do horizonte.

29 julho 2008

parte 1

Ela chegou a casa exausta de mais um dia cansativo. As discussões laborais, os excessos, os prazos apertados e os atrasos que há muito se haviam tornado rotina, arrastavam-lhe para o corpo o peso das semanas comuns.
- O trabalho é que estraga a vida às pessoas – costumava dizer em tom sério de quem brinca.
Os dias haviam perdido a magia da descoberta e o entusiasmo do crescimento pessoal para se limitarem a escassas tentativas de sobrevivência.
E aquela era apenas mais uma noite que se avizinhava apática, repleta de desconcertantes gestos mecânicos.
Os pés descalços guiaram-na ao canto do sofá, o lugar que institivamente adoptara como seu e só seu. As sandálias de saltos agulha que acabara de adquirir e que lhe feriam a alma a cada passo, repousavam a seu lado. Quis fazê-las desaparecer. Quis atirá-las janela fora na esperança vã de que a monotonia se lançasse em seu auxílio.
A mente começava a libertar-se das incógnitas da sociedade. Mas o peso sobre si permanecia intacto.
Fechou os olhos e julgou adormecer. Como se os sonhos a levassem para um jardim, talvez de delícias, onde a paz reinaria descomplicada.
- O trabalho é que estraga a vida às pessoas.

24 julho 2008

parte I

Olhava o mundo com os olhos de quem, inconscientemente, tem consciência de pouco saber. Olhava-o de uma outra perspectiva, por uma fresta que poucos pareciam conhecer.
O dia tinha sido igual a tantos outros. As horas passadas entre o repouso e a necessidade de se manter viva alteravam com os momentos de brincadeira que tantas vezes lhe eram roubados. No silêncio, magicava o fim da solidão que não tardaria a chegar. E aguardava pacientemente no confortável tapete que habitualmente lhe estava restrito.
Mas naquele dia algo se apresentava diferente. Uma porta aberta facilitara-lhe a tarefa de irromper na descoberta. E limitava-se agora a esperar, finda a agitação de quem alcança um objectivo há muito traçado. Limitava-se a esperar com a certeza de que pouco lhe restava.
Os outros costumavam dizer que a memória lhe costumava faltar. Que aparentava não dever muito à inteligência.
Mas, no fundo, o que tinha era apenas amor para dar. Amor, puro e simples, e gratidão.
Sabia que era amada. Sabia que faziam tudo por ela e pelo seu bem-estar.E, alheia à sua própria loucura, fazia tudo para retribuir.

14 julho 2008

back on the game

Prometi a mim mesma que regressaria às loucas e atribuladas viagens em prol de um bem maior chamado música. E estou de volta. Desta vez com o conforto do carro, a segurança do telemóvel e mais alguns tostões no bolso, mas de volta.
Prometi a mim mesma que não passaria mais um único mês sem usufruir de um bom concerto e eis que a promessa tem vindo a ser cumprida.
A minha tournée pessoal começou com os Linda Martini, no Rock na Ribeira, e prosseguiu com o grandioso concerto dos The National, no Optimus Alive, a que se seguiu The Hives (muito melhor em disco que ao vivo) e os incortonáveis Rage Against the Machine, também eles estrondosos.
O cartaz há-de continuar com a mistura entre o velho e o novo punk nacional, no Guadiana Fest, Editors, Mars Volta e Thievery Corporation, em Paredes de Coura, e José Gonzalez e Massive Attack, no Sagres Surf Fest.
Daí para a frente logo se vê.

09 julho 2008

E amanhã...

... vou estar ausente porque consegui credenciais para o Optimus Alive e vou zarpar daqui por uns dias.

coisas bonitas de se dizer

E hoje lembrei-me daquela que poderia muito bem ser considerada a maior declaração de amor de todos os tempos.
- Amor, baixas-me os níveis de açucar no sangue. Dás-me hipoglicémias.
Não é uma coisa bonita de se dizer? É romântico, não é?
Como não tinha nada de importante em que pensar entretive-me com estes devaneios.
Deu-me para isto. Vá-se lá saber porquê.

melancolia

E esta noite não tenho muito para dizer. Mas do pouco que me assola há um muito de extrema importância.
Em jeitos de resposta ao meu Raspelho, desejo ardentemente um regresso a casa.
Os jantares, as conversas de café, as risadas no Capitel ou os simples encontros do costume sabem “a voltar a casa”.
E é disso que hoje tenho falta. De voltar a casa. De sentir a cidade e tudo o que ela me desperta. De cheirar o ar que por lá se respira. De sentir o calor que transborda das almas alentejanas.
De estar. De chegar. De regressar. De voltar.
Hoje é só disso que preciso. Mesmo que tal aconteça apenas por escassos momentos.
Porque eles (ou vocês) me sabem a casa. E, principalmente, porque me sabem a mim.

07 julho 2008

conversa de amigos

- Ó, Lisa, tu sabes como é. Também és assim. Temos os dois personalidades muito fortes e isso, por vezes, torna difícil dividir espaço com outras pessoas.
(Sobre a relação quem tem vindo a ter com a namorada)
- Ó, Fernando, aquilo que nós temos não é personalidade forte. Desengana-te. Aquilo que nós temos chama-se feitiozinho de merda e não tem nada a ver com personalidade forte.
(Quem me dera que assim fosse).

04 julho 2008

diferenças importantes

- Qual é a diferença entre uma catástrofe e uma calamidade?
- Uma catástrofe é a Lisa a conduzir. Uma calamidade é a Lisa a conduzir e a cantar.
Que piada! Os meus amigos são tão queridos!

o que é pior que...

... sair da redacção (para onde fui de mini-saia e chinelo), pegar no carro, chegar a casa, tomar duche em 10 minutos, trocar de roupa, calçar umas sandálias de menina séria, tentar colocar em ordem todos os meus fios de cabelo desgrenhados, voltar a pegar no carro, chegar à Baixa de Faro ainda com 35 graus no lombo, cozer os pés de elefante que não estão habituados a apertos, assistir à inauguração de uma joalharia cujo anel da montra custa a módica quantia de 3.300 euros (sim, três mil e trezentos euros), aturar uma cambada de pindéricos e não beber nada porque anseio desesperadamente por um momento de fuga?
O que é pior que isto tudo junto?
É estar à espera que alguém se digne a vir falar comigo para me poder pôr a milhas e ver a passar na rua os tristes felizes que vêm da praia de bikini e calção.

01 julho 2008

devaneios de quem parece arranjar tempo a mais

Estes escassos momentos de lucidez só me servem para pôr em causa algumas das minhas crises existencialistas. E depois dá-me para isto. Para divagar. Sem com isso conseguir alcançar rumo algum.
Coloco a mim mesma as perguntas mais estúpidas. E dou a mim própria respostas ainda mais absurdas.
Continuo à procura do fundamento para a minhas estranhas fobias mas não consigo encontrar razões lógicas para o pavor de caracóis.
Não consigo também perceber por que durmo eu, durante todas as estações do ano, com os pés de fora, atenta à necessidade de um dia ter de saltar rapidamente da cama, sem que os membros se embrulhem nos lençóis.
Também não compreendo como pode o meu corpo ficar sistematicamente cravado de mosquitos se passo a vida rodeada por pessoas e coberta de repelente de insectos (acho que vou abdicar do uso de perfume já que o cheiro nauseabundo do repelente o acaba por abafar).
Continuamente estranho e despropositado é dar comigo própria a pensar em tudo o que não interessa quando existem eixos muito mais importantes sobre os quais devo reflectir.
E o cúmulo da estupidez é pôr-me a escrever, a estas horas pouco dignas, sobre estes devaneios.
Enfim, foi só um desabafo!

30 junho 2008

a idade das descobertas

E ao longo deste fim-de-semana de ócio descobri um punhado de coisas interessantes.
- que os novos desodorizantes em spray todos XPTO para mulheres têm uma tranca de segurança para os putos curiosos;
- que infelizmente essa tranca é muito mais fácil de abrir do que o próprio spray, razão que comprova a sua total inutilidade;
- que está calor a mais para estar na praia ou noutro sítio qualquer;
- que o meu físico se tem vindo a assemelhar ao de um projecto de cachalote e que, lamentavelmente, não fui feita para seguir dietas ou qualquer tipo de abstinência;
- que ainda me sabe bem beber minis na praia até de madrugada;
- que dormir a sesta é uma das melhores coisas do mundo;
- e, por fim, que o recovo e a costa da Armona Beach continuam a ser "heaven on earth".

24 junho 2008

dia de m***a

A alombar, como já vem sendo hábito, 14 horinhas.
A contar com um feriado que, afinal, não vou ter.
A planear levar a cadela para acampar na Ilha do Farol e a desplanear em cima da hora.
A sonhar com três dias consecutivos de folga e a acordar para a realidade.
A ver baratas vermelhas, voadoras, gigantescas a passar entre os meus pés e a surgir sabe-se lá de onde.
A observar os toinos dos meus colegas (com quase dois metros de altura e 100 quilos de peso) a deixar viver os inúteis animaizinhos (porque não querem sujar a sola dos sapatos) e a tirar fotografias à minha estúpida posição (sim, deixei-me ficar o resto do dia a escrever sentada em cima da secretária e a transpirar que nem um cavalo).
E a ir para casa com vontade de espancar pessoas e boicotar todo o tipo de patronato.
**da-se que hoje custou!

20 junho 2008

é que é já a seguir (amanhã ou depois ou assim...)

Tendo em conta que Portugal já foi baldeado do Campeonato Europeu de Futebol, levando consigo o ânimo e a paz que tem pairado sobre os habitantes deste país à beira-mar plantado, acredito que dentro de pouco tempo as greves e tumultos devem regressar aos dias comuns.
E, como tal, tendo em conta o meu desagrado e descontentamento face a certas situações, atribuo a mim mesma o direito de reivindicar.
E garanto levar comigo pelo menos quatro ou cinco membros da minha família, também eles excluídos sociais, integrados numa estranha minoria com tendência a crescer e poucos direitos.
E a razão da minha futura greve, paralisação ou manifestação (consoante a disposição que me assolar nesse dia) é, nada mais nada menos, que a falta de produtos alimentares sem açucar.
Vou a um restaurante e os poucos produtos em que o açúcar é substituído pelo adoçante não existem para consumo.
- Coca Cola Light?
- Não temos.
- Sumol Z?
- Não temos.
- Pão Integral?
- Não temos.
- Gelado sem açúcar?
- Não temos.
- Mas têm alguma coisa sem açúcar?
- Sim. Água.

Vou ao supermercado e escassa escolha de bolachas sem açúcar (que se resumem a pedaços de massa com sabor a nada) custam mais do dobro do preço dos produtos comuns. Para não falar na clara ausência de sabor e estética de tais produtos.
E, por fim, quer em restaurantes ou supermercados, ao constatar a minha cara de desilusão, os infelizes empregados olham para mim e dizem (como se isso me fosse alegrar):
- Mas pode levar/comer/beber/comprar com açúcar porque a menina não precisa de fazer dieta.
- MAS, PORRA, QUAL É A PARTE QUE NÃO PERCEBEU? Eu NÃO estou a fazer dieta. Sou apenas diabética!
- Ah, que pena! (respondem aqueles que já ouviram falar)
E lá me venho eu embora de mãos a abanar.
E, pronto, um dia qualquer que acorde com a neura, agarro na família (sob a ameaça de “se não vierem comigo não comem gelados) e lá vamos todos para a rua manifestar-nos pela igualdade de direitos e oportunidades.

19 junho 2008

e hoje deu-me para isto...

"Aggressively we all defend the role we play
Regrettably time’s come to send you on your way
We’ve seen it all bonfires of trust flash floods of pain
It doesn’t really matter don’t you worry it’ll all work out
No it doesn’t even matter don’t you worry what it’s all about
We hope you enjoyed your stay
It’s good to have you with us, even if it’s just for the day
We hope you enjoyed your stay
Outside the sun is shining, seems like heaven ain’t far away
It’s good to have you with us
Even if it’s just for the day
It’s good to have you with us even if it’s just for the day
Outside the sun is shining, seems like heaven ain’t far away
It’s good to have you with us
Even if it’s just for the dayI
t’s good to have you with us even if it’s just for the day
Outside the sun is shining, seems like heaven ain’t far away"
"Exitlude", in Sam's Town, from The Killers

18 junho 2008

Mãããããeeeee, tira-me deste filme!

Ontem, na inauguração da Biblioteca Municipal de Olhão, disseram que achavam que eu tinha... 16 ANOS (é normal? ok, se calhar é! estava de calções, blusa cor-de-rosa, chinelos e unhas pintadas de roxo).
Mas, em contrapartida, também disseram que eu era a fotógrafa mais bonita no local (essa já não pega! todos os outros eram do sexo masculino).
No dia anterior vi jeitos de apanhar porrada de um cigano só por lhe ter dito para tirar o banquinho do local onde eu queria estacionar o carro.
E no dia antes desse era para ter dado um salto à praia mas, quando consegui juntar todas as porcarias necessárias para tal e fechar a porta de casa, apercebi-me que me tinha esquecido das chaves do carro lá dentro e das chaves de casa junto às do carro. E fiquei estupidamente sentada à porta à espera que algo acontecesse.
E há uns dias atrás...
Ok, pronto, vou já calar-me!

13 junho 2008

a xaga continua esta noite

O encenador charlatão, o russo clandestino, o alemão que estudou nos melhores teatros de Berlim, o pescador olhanense, a psicótica filha da produtora e a jornalista falhada com aspirações artísticas voltam a cena esta noite na Junta de Freguesia de Pechão.
Apesar das greves, manifestações e motins de revolta, A GORDA volta a atacar.
BÁLARINAS E PÉZINHES D'XUMBE II - a xaga continua!
21h50.
Estrada livre.

11 junho 2008

Ainda bem que EU NÃO FUI

... ao Rock in Rio.
Porque fui na segunda-feira passada ao Rock na Ribeira, naquela grande terra que é Pechão, e foi muito melhor do que qualquer festival de betos e elites.
Os farenses Death on the Door inauguraram o palco mas eu perdi o concerto porque me descuidei a enfardar jaquinzinhos com arroz de tomate.
Seguiram-se os olhanense Punk c' Mantega, vencedores da primeira edição do concurso de bandas Abril Bandas Mil. Um punk pouco limado mas prova que de "no Rock na Ribeira se ouve punk à maneira".
A grande surpresa foram mesmo os La Plante Mutante, também eles algarvios, que arrantaram gerações e reavivaram memórias com míticas interpretações dos anos 80. Os meus parabéns a esses grandes cromos!
Os Linda Martini apresentaram a imagem de marca do festival. Rock. Puro e duro. Com guitarras desgrenhadas e sonoridades electrizantes. Inesquecível.
O ambiente primou pela heterogeneidade mas, ao mesmo tempo, pela simbiose perfeita com que todos factores se conjugaram.
Qual Rock in Rio, qual quê. Venham a Pechão e aprendam!

06 junho 2008

hummm, fim-de-semana

E consegui alombar a semana toda para ter direito a um fim-de-semana inteirinho sem serviço de reportagem.
E vou passar dois dias sem a máquina, o gravador, o bloco de notas, as esferográficas e os milhares de papelinhos e contactos que sempre me acompanham (será que vou sobreviver?);
E não vou andar a correr atrás de ninguém a pedir (quase por favor) umas estúpidas palavrinhas;
E não vou querer saber dos pescadores e do gasóleo e do Rio Guadiana e das inaugurações e do caneco e diabo e afins;
E vou passear à capital à procura de umas coisinhas novas para casa;
E vou tentar ir ver a família a terras alentejanas;
E não, não vou passar pelo Rock in Rio porque já perdi a Amy Winehouse e os Machine Head e, por isso, a coisa já perdeu o interesse;
E porque na próxima segunda tenho de gramar com o Rock na Ribeira, nessa grande metrópole chamada Pechão;
E vou ver o jogo pela televisão (se não tiver nada mais interessante para fazer);
E vou andar em boa companhia;
E vou comer muitos gelados e imperiais e termoços;
E vou chamar nomes se me baterem no carro;
E vou arranjar coisas estúpidas para fazer porque sei que me vai apetecer;
E vou esturrar o dinheiro que me apetecer porque hoje desembolsei quase 50 euros por um pneu que furei a trabalhar no dia de anos (eu sabia que não deveria trabalhar aos domingos, muito menos de manhã, muito menos a caminho da serra e muito menos no dia de anos. caraças, pá!)
E pronto. É tudo.

04 junho 2008

acasos infelizes

Pois!
Fui a primeira a chegar à paralisação (um acaso ocasionado pelas horas tardias a que saí do trabalho);
Assisti em directo ao incidente e àquilo que o despoletou;
Falei com os intervenientes antes de qualquer outro órgão de comunicação;
Tirei fotografias de boa qualidade;
E só por não ter captado imagens do homem estendido no chão (por uma questão de respeito e por não me apetecer ser sovada por mais de 200 pescadores), a minha peça não foi manchete.
Pois! Esta história do jornalismo tem muito que se lhe conte!

dois beijos muito especiais

E hoje (só hoje, que fique isto claro!) valeu a pena ter ficado a alombar textos no trabalho até quase às três da matina. E hoje valeu a pena por dois bons motivos.
(E lá vou eu começar com as desculpas e os agradecimentos - também eles de algibeira, mas que têm para mim a mais alta e magnânime importância)
Descobri que a Susana visita este meu espaço de divagação (mesmo que isso tenha acontecido uma única vez) e isso fez-me desabrochar dos lábios um sorriso sincero, que não tinha desde que entrei hoje na redacção.
E isso fez-me sorrir e fez-me querer conhecê-la melhor. E fez-me querer pedir-lhe desculpa por tudo e por qualquer coisa. E fez-me desejar-lhe as melhores felicidades do mundo. E dizer-lhe que os dias maus passam. E que, se por ventura, fui responsável por algum deles me senti a pior pessoa do mundo e o mais egoísta dos seres vivos. E que, por tudo isso e muito mais, lhe desejo tudo e muito mais. Porque as melhores pessoas se fazem sentir à distância.
O segundo motivo foi o reaparecimento do Raindogs, que sei que anda mal de amores e mal de humores (sim, porque às vezes também dou uma espreitadela) e que, por isso, não tem dado notícias.
Aos dois o meu obrigado. E também aos dois, as minhas desculpas. Por razões diferentes, é certo, mas desculpas na mesma.
E, pronto!, hoje vou para casa com outro ânimo. Hoje o fecho de edição foi um tanto menos doloroso.
E já agora, quem ler esta mensagem faça o favor de ler os comentários para aceder aos blogues, também eles de divagação (mas muito mais interessantes que este) destas duas personagens.

02 junho 2008

Síndrome dos 25

Nunca ouvi falar de tal. Mas começo a acreditar que também existe o síndrome dos 25 anos. Passadas 24 horas sobre a consagração (e sobrevivência) do meu primeiro quarto de século de existência, começo a sentir no corpo o cansaço de tamanha responsabilidade.
Pior ainda, quando tal data se comemora no Dia Mundial da Criança e eu não consigo ser bem sucedida nas inúmeros tentativas (pouco esforçadas, confesso!) de adaptar a imagem à idade cronológica.
Talvez os novos passos tragam consigo novas marés, novos ventos, novas tempestades, novas mudanças. Ou talvez não.
Mas, por agora, lá me vou aguentando com 25 anos no lombo e a ideia de que no próximo aniversário não vou trabalhar que nem uma louca, furar um pneu do carro, esquecer-me da carteira e das chaves e não ter jantar de amigos.
Ok, há mesmo o síndrome dos 25. Já começo a fazer exigências difíceis de realizar. Pelo menos, todas ao mesmo tempo.

28 maio 2008

a quantos estamos hoje?!

Bem, passaram alguns dias. Ou semanas, não sei bem. Tenho andado perdida no tempo com excesso de trabalho e escassez de ócio.
Está prestes a terminar mais um dia de azáfama profissional. Ou dois. Também já não sei bem em que dia e a que horas me agarrei a este teclado. E sei ainda menos daqui a quantos minutos (ou horas) o irei largar.
Em todo este tempo descobri um punhado de coisas interessantes:
- que a mítica série Twin Peaks (que não conheci porque não tenho idade para tal mas que guardo na memória como se tivesse conhecido, por ouvir comentários de outrém) se baseia numa aldeia fantasma (ou coisa do género), no interior do concelho de Alcoutim, em plena serra algarvia, onde tive a infelicidade de me perder por infinitos 40 minutos numa noite sombria;
- que por vezes é preciso tomar decisões em prol de algo que consideramos superior;
- que nem sempre é fácil conciliar na vida todas as pessoas com quem, por momentos, gostaria de estar;
- que as paredes da minha sala ficam muito mais atractivas pintadas de verde alface;
- e que é pena que quando chego a casa, depois de 10, 15 ou 30 horas de trabalho, não me apetece absolutamente nada olhar para elas (porque anseio desesperadamente a minha cama e o calor nos pés);
- que tenho de coordenar melhor os meus horários e passar a ser uma pessoa mais regrada;
- e, finalmente, que este ritmo alucinante a que me movo não pode continuar por muito mais tempo.
E agora a parte das desculpas:
- ao Paulo, pelo pouco tempo que tenho disponível;
- à minha família pelas escassas visitas mensais;
- aos amigos de sempre com quem há muito tempo não bebo café;
- aos amigos de há pouco tempo com quem também não tenho bebido café;
- ao Filipe, Charles e Paulo Rosário, por ter falhado o fim-de-semana em Coimbra, mais uma vezes por motivos profissionais (ai, que neura!);
- e um pedido de desculpa especial ao Raspelho por ter faltado a um momento importante da sua história.

14 maio 2008

Está mau isto!

Não sei bem o que me passou pela mente mas, num dia de estranha inspiração, carreguei para o carro todos os velhos cd's que há anos não ouvia.
E letras como Toxicity, dos Sistem of a Down, Letting the Cabbles Sleep, de Bush, Dj, de Dover e um rol de outras canções voltaram a marcar presença na minha memória.
Continua sem saber bem o que me deu. Talvez tenha sido o facto de, nos últimos tempos, ter andado a falhar.
A Semana Académica da Universidade do Algarve já vai a meio e eu já perdi os concertos de Groove Armada, Tara Perdida e Fonzie. A este ritmo, qualquer dia morri e não dei por isso. Mas já prometi a mim mesma que, em dias de menos trabalho, volto a atacar os moches.

13 maio 2008

Porra, pá, que é sempre a mesma coisa!

Já sabia. É sempre a mesma coisa. Todos os anos a mesma coisa. Chega a esta altura e a história toma outros contornos. Chega o mês de Maio e o meu pensamento não pará de magicar formas e fórmulas de tentar vencer esta batalha.
Tento, mais uma vez, chegar à frente. Alcançar o lugar cimeiro que é o meu. E que sempre o deveria ser.
Procuro saltar barreiras e vencer a luta contra o tempo. Quero ultrapassar o meu suposto adversário. Mas sempre em vão. Todos os anos em vão. Todos os meses de Maio em vão. E todos os dias 13 de Maio, o vencedor não sou eu.
Sim, é sempre a mesma coisa. Sempre a mesma história. Mas, no fundo, no fundo, no fundo, não desgosto que assim seja.
Às vezes é um bocado chato. Em anos passados, era irritante (tal como tu também eras irritante). Mas agora é simplesmente um marco na nossa existência. Idêntico a tantos outros que nos tingiram. E tudo isto são apenas ciúmes de uma irmã que teima em ser sempre a mais velha.
Pronto, mano, durante os próximos dezassete dias vamos ter precisamente a mesma idade. Por mais que eu fuja todos os anos me apanhas. Mas, espera, aguarda e usufrui destes dias de igualdade porque, à semelhança do que também acontece todos os anos, brevemente voltarei a ser a primeira.
Parábens, Duarte. E obrigado por seres o melhor irmão do mundo e a grande pessoa que és.
Beijos gordos (e bélinhas na testa para não te ficares a rir!)

12 maio 2008

Está quase...

Só faltam mais uns mesinhos para o Sagres Surf Festival.
Este ano com Massive Attack e José Gonzalez como cabeças de cartaz.
É em Agosto.
Dias 16 e 17.
E, não sei bem como, mas eu vou.

05 maio 2008

Porra, que isto é mesmo bom!

E os gajos são tão bons, tão bons, tão bons que, após nove sessões de lotação esgotada, voltam a tomar de assalto a Sociedade Recreativa Olhanense.
O encenador charlatão, o alemão que estudou nos melhores teatros de Berlim, o pescador olhanense, o russo clandestino, a jornalista falhada com aspirações artísticas e a psicótica filha da produtora voltam a subir ao palco na próxima sexta e sábado para mais uma trama anestesiante.
O espectáculo (ou coisa parecida) tem início, como habitualmente, às 21h50 e os ingressos estão disponíveis no local.
Despachem-se a comprar os bilhetinhos que os gajos são tão bons, tão bons, tão bons que a coisa tem esgotado em menos de nada. E estão tão cansados, tão cansados, tão cansados que, tão depressa, não querem saber do estrelato.

30 abril 2008

confissões de uma noite crítica

Ok, confesso: já tinha saudades.Tinha saudades de toda esta adrenalina, de todo o dinamismo que se cria, do stress, da vontade de arrancar cabelos, pisar cabeças, chamar nomes aos outros para, no fim, sair com a consciência tranquila e a anestesiante sensação de dever cumprido.
A semana passada tivemos um fecho de edição complicado. Para além do semanário de 40 páginas, o POSTAL do ALGARVE lançou um novo caderno destinado ao ensino superior e ao mundo académico, sob o nome de FRA.
Um director, um editor, um paginador, um director de marketing e uma jornalista. Fechados numa sala. Em conflito absoluto. A orientar as linhas que marcariam o lançamento do novo projecto.
Trabalhámos quase 30 horas de seguida. Gritámos. Dissémos piadas. Quase amuámos. Não parámos um minuto.
Bebemos garrafas de Coca-Cola. Embriagámo-nos com litros de café. Aspirámos o fumo de dezenas de cigarros.
Mas conseguimos. O POSTAL e o FRA seguiram para a gráfica no tempo devido. E dos olhos cansados lançámos um brilho excitante. E dos lábios dormentes ecoou um sorriso rasgado e o agradecimento mútuo à grande equipa que juntos compomos.
Sim, confesso que já tinha saudades de dois dias e uma noite assim. 30 horas dão para muita coisa. E tudo o que dizemos sem pensar, e todos os gestos que largamos de cansaço, são compensados pelas sinergias que se criam e pelo espírito de companheirismo e entreajuda que, naturalmente, acabam por surgir.